sábado, 13 de junho de 2015

ANDANÇAS... LA PELAS TRILHAS DO VAMOS VER NO QUE DÁ!

Livro digital...
leitura gratuita


ANDANÇAS...
LA PELAS TRILHAS DO VAMOS VER NO QUE DÁ!

( ALGUNS RELATOS AUTOBIOGRÁFICOS DE UM ANCIÃO PEREGRINO)



DEDICATORIA


Dedico este meu segundo livrinho digital a todos aqueles que gostam de ler meus escritos singelos.

O autor

Romildo Ernesto de Leitão Mendes




ÍNDICE:



Prólogo----------------------------------------------------------------------------------------- 6

Capitulo 1
Pistas autobiográficas --------------------------------------------------------------------- 7-8

Capitulo 2
Da terra dos verdes mares à terra das macaubeiras---------------------------- 9

Capitulo 3
Em Conquista a vida escorria lentamente-------------------------------------------10-11

Capitulo 4
Enfim, pouco a pouco, iam se abrindo, para mim as porteiras da liberdade
-------------------------------------------------------------------------------------------------------12-13

Capitulo 5
Entre mim e a bela Sacramento (MG) d´outrora, teceram-se duradouros laços de bem querer--------------------------------------------------------------------------------- 14-15

Capitulo 6
EM 1958, O SOPRO QUE ME IMPUSIONAVA NAS MINHAS ANDANÇAS DESPEJOU-ME, LITERALMENTE,  NA RICA UBERABA (MG) DE TANTOS EVENTOS SOCIAIS, ECONOMICOS E CULTURAIS ---------------------------16-17-18






PRÓLOGO

Do esconderijo da memória, eu resolvi falar de algumas andanças ou peregrinagens que fiz lá pelas bandas da infância longínqua. Não há, nestes relatos nada de inverosímel. Tudo aqui relatado, eu mesmo cascavilhei generosamente, lá onde se escondem as alegrias e os descontentamentos que a vida ofertou-me no percurso da infância e da juventude vividas.
Espero que me desculpem a ousadia. Na verdade estes relatos fi-lós para ablucionar-me a alma e o coração, daqueles espectros que espantam a criança que, em mim, ainda planje.

Sejam muito bem vindo!




CAPITULO 1

Pistas autobiográficas


Nasci, em 1941, lá pelas bandas das terras de Iracema, a virgem dos lábios de mel, atualmente conhecida pelo cognome de Fortaleza (CE). Como todo mundo eu brotei no canteiro da vida, como fruto de um acasalamento entre um homem e uma bela mulher. Claro, na época não havia nenê de proveta!
Minha mãe, os retratos confirmam era uma bela jovenzinha, chamada Maria Vanda Gomes Mendes, filha de João Gomes e de Elvira Gomes. Meu pai, era um jovem garboso, medico higienista, chamado Romildo Borges Mendes, filho de Sebastião Mendes e de Julieta Borges Mendes. Simplesmente, se conheceram e, imediatamente, se dispuseram a partilhar a vida, os sonhos, as tralhas, os bregueços e o que mais viesse. Mochilas às costas, diploma no sovaco, mulher ao braço e
filho na pança, lá se foram eles por ai afora e assim começaram nossas muitas andanças...        
      


















CAPITULO 2

Da terra dos verdes mares à terra das macaubeiras


Um dia qualquer de um mês qualquer de 1950, como que num passe de mágica, eu e meu irmão Charles fomos transferidos, sem nenhuma preparação psicológica, de Fortaleza (CE), onde residiam os avós paternos, para Conquista (MG).

Da logística do nosso transporte para Conquista (MG), se encarregaram, o Osmar Vieira e a tia Nemaura, que estavam acompanhados da pequena Nádia, filha deles. Não pegamos um Ita no norte e fomos para o Rio morar. Ah quem dera que se o tivéssemos ido! Mas pegamos uma velha aeronave muito utilizada na Segunda Guerra Mundial, chamada de “Douglas” e fomos pra Conquista (MG) morar.
Ah! É bom que se diga a priori que, eu, pessoalmente, a época, embora ainda criança, considerei a tal bendita mudança uma violência imensurável, vez que, aos mais interessados, nada foi esclarecido, antecipadamente. Simplesmente, abduziram nos de nosso nicho provisório, a terra dos verdes  mares, para nos lançarem em um asteroide perdido em minha mente pueril, totalmente, desconhecido a nós: A terra das macaubeiras.

Enfim, quer quiséssemos, quer não quiséssemos, e, na verdade, não o queríamos, lá estávamos nós no Triangulo Mineiro, ou mais precisamente, em, Conquista (MG): Terra dos Bizinotos ( gente de coração lindo); terra dos Borges ( ricos pecuaristas detentores do poder político na região); terra dos Canassas ( gente boa à beça); terra dos Furiates; terra dos Páduas; terra dos Caldeiras; etc etc...
Conquista (MG) a época era uma cidadezinha qualquer, como tantas outras pelo país afora. Mas não podemos nos esquecer que a grande novelista  Janet Clair nasceu lá, em 1925.

CAPITULO 03

Em Conquista a vida escorria lentamente


Com uma pracinha, uma escolinha, uma igrejinha, um hotelzinho, um armarinho de bugigangas, um deposito de material de construção, um postinho de saúde... ara! Carecendo de tantas outras coisasinhas, a vida na cidadesinha, só podia correr lenta do alvorecer ao crepúsculo. Era sempre o mais do mesmo, todo dia, toda hora!
Duas vezes por dia, alguns gatos pingados ocupavam a plataforma da estação ferroviária a espera do trem a vapor que, ora vinha de São Paulo destino a Uberaba, ora, de Uberaba a São Paulo. Para quem morava em Conquista (MG) estes horários do trem eram motivo de muita estripulia.
Bem cedinho, as portas do único hotelzinho se abriam a espera de que talvez quem sabe, pudesse hospedar algum vendedor forasteiro. Porque muitos outros hospedes já se preparavam para partir na jardineira (ônibus) rumo a Sacramento ou a Uberaba. À noite, a paisagem escura da cidadesinha mal iluminada intensificava sobre maneira, o deplorável tédio. Destarte, logo após ouvirmos, pelo radio na casa dos caldeiras, a célebre novela “O DIREITO DE NASCER”, só nos restava nos recolher às nossas residências.
À noite, a iluminação era tão precária que se podia perceber: - Uma lampadazinha fraquinha aqui e outra lá acolá, disputando com o brilho das estrelas quem quebraria o breu da noite. Ah! Mas, depois das 22h só as portas entre abertas dos prostibulos esperavam os clientes. E, também, o boteco de Gilberto lá na bela pracinha, mantinha-se a todo vapor para atender os bebuns e disponibilizar a mesa de sinuca para os viciados em bilhar. E eu, em meu lugar de dormir na casa de minha madrasta ( quem inventou madrasta, não tinha o que fazer!), me perdia em devaneios e em saudades de minha mãe, da qual eu só sabia que morava no Rio de Janeiro. Mas, eu não tinha nem o endereço dela, nem noticias suas e nem tampouco o numero do seu telefone.
Isto era um tormento para mim. Contudo era a força que me impulsionava a viver a cada dia na esperança de evadir-me dessa cidadesinha para encontra-la onde quer que estivesse.
Por fim, apesar dos pesares, Conquista teceu em mim gratas lembranças:
- Suas casas arejadas; seus amplos quintais, sombreados de mangueiras frondosas, todos plantadinhos de hortaliças verdinhas, e de flores perfumosas; lembranças de Dona Virgilina, nossa primeira lavadeira; de seu Leozino e sua bela ximbica a manivela; de seu Amilca Barros e de sua esposa Dona Ermelida Bizinoto, um casal literalmente santo, que foi para mim referencia a cada dia de minha vida etc etc...  



CAPITULO 04

Enfim, pouco a pouco, iam se abrindo, para mim, as porteiras da liberdade.


Como o tempo não para, em 1953 fui estudar interno no Colégio São Jose,  dos padres Claretianos, em Batatais (SP). Então o leque de minha visão geográfica se abriu, sobremaneira. Agora, eu sabia que existiam muitas outras cidades além de Fortaleza (CE) e de Conquista (MG) e que eu estava, relativamente, muito mais próximo do Rio de Janeiro. Cá comigo mesmo, eu já me sentia o cara!
- Já pensou o que era saber que Franca, Brodosque, e tantas outras cidade existiam?!
Em um dia qualquer de um mês qualquer de 1954, fui avisado, logo ao levantar-me no dormitório do colégio, que meu pai me esperava na portaria e que eu deveria já ir ao seu encontro levando comigo minha roupa pra viajarmos.  Putz grila! Perguntei-me:
- Será que ele vai tirar-me desse Oasis de paz?
Ao nos defrontarmos na portaria, ele disse-me:
-Vamos, imediatamente ao Rio, porque recebi uma ordem judicial de lá, exigindo que eu os apresentasse ao juiz em 24h, senão decretaram a minha prisão. E lá fomos nós de trem até São Paulo, e, no dia seguinte, tomamos um ônibus da Cometa na Av. Duque de Caxias, rumo à rua Garibaldi na Tijuca (RJ). Durante todo o percurso mantive-me silencioso, para que ele não percebesse a minha imensa alegria e ficasse muito aborrecido. Enfim, eu acabara de tomar posse da forma de me comunicar com todos os meus parentes maternos. A partir de então, eu não os perderia mais de vista.




CAPITULO 05

Entre mim e a bela Sacramento (MG) d´outrora, teceram-se duradouros laços de bem querer.
(Lá conclui o ginasial em 1957)

Chegara, enfim, 1955, trazendo consigo novos e grandes desafios que eu teria que enfrentar com muita galhardia, tais como:
- Saudades de meu irmão que retornara a Fortaleza (CE), para viver lá, deixando-me aqui sozinho ( ah! Só Deus e eu sabemos, quanto falta me fez!);
- Mudança de e cidade e de escola, que, em consequência, me fez perder os cuidados extremosos dos bons e generosos padres Claretianos.  Perder, também, a eficiência pedagógica e outras regalias da instituição educacional deles etc etc...
Enfim,” começar tudo de novo e contar só comigo mesmo”. Naquele exato momento de minhas andanças, apesar de eu ter apenas 14 anos de idade, eu teria que ser senhor do meu próprio destino. E eu dei conta! Mas, não obstante tamanha parresia, com o fiofó na mãos, eu me perdia, por varias vezes, em questionamentos:
- “ o que será que será...”?
- Como vou fazer...?
Mas, alguma coisa me dizia que Deus sabia, e isto, bastava-me. Se assim é, disse-me a mim mesmo:
-Novidade alguma, a de me amofinar!
Porque o conhecido, eu já conheço, e o desconhecido, por decerto, eu quereria conhecer... Ora!  Em contrapartida, o leque da liberdade se abria para mim. Quem sabe tudo aquilo não seria bom para mim? É... Quem sabe?
E, relativamente, foi muito bom!



A bela Sacramento- , de bem antigamente, ficava, a uma hora de Jardineira, da matuta Conquista, d´outrora. Sacramento,  como Conquista, também, por ser uma cidadesinha qualquer no dizer de Carlos Drummond de Andrade, adormecia cedo e caminhava a passos lentos de tartarugas, em se tratando de desenvolvimento pujante... ara!
Mas, a bela Sacramento- era uma cidadesinha limpa, toda calçadinha de paralelepípedo bem talhados, ela sempre se amanhecia de auroras- a iluminar suas largas avenidas e suas ruasinhas; ela sempre se amanhecia de bocejos juvenis a caminho da escola local, da qual todos os habitantes se orgulhavam, porque, em fim, era um ginásio, o que fazia a diferença entre ela e as demais cidadesinhas a seu entorno; ela sempre se amanhecia de burburinhos de gente laboriosa, hospitaleira, acolhedora e de coração lindo:
- Seu Labieno, Da Sara, Alicinha, Celia, Ercilha, Voza, Luis Fernando, José Alberto, Ana Flavia etc etc...

A bela Sacramento d´outrora, talvez até fosse uma cidadesinha qualquer, como tantas outras do então.
Mas, o que importa é que a bela sacramento de outrora escreveu em mim lembranças de coisas e de pessoas que não pretendo esquecer “nem bem de vagarinho”: A bela igreja Matriz de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento e sua glamorosa pracinha, onde os enamorados se perdiam em olhares e suspiros apaixonados; - a pensão, onde vivi por três anos, espremida entre uma esquina comercial e a casa dos Valadares; -Dona Araci Pavanelli, a nossa inesquecível diretora; -Dona Corina, minha professora de português, a doce Mãe Corina do Lar espírita Eurípedes  Barsanulfo; - Dona Dalila, a suave professorinha de desenho e pintura; a competentíssima dona Hilca, que em mim despertou o desejo de ser professor de história etc etc...
Por fim,  só sei que sou eternamente grato a Sacramento, por tudo que lá vivi, por tudo que lá aprendei, por todas as amizades que lá construi.    


CAPITULO 06

EM 1958, O SOPRO QUE ME IMPUSIONAVA AS MINHAS ANDANÇAS DESPEJOU-ME, LITERALMENTE,  NA RICA UBERABA (MG) DE TANTOS EVENTOS SOCIAIS, ECONOMICOS E CULTURAIS.
(Lá, conclui, a duras penas e muito esforço, o curso cientifico em 1960)



Mas, despejou-me, logo em Uberaba, a troco de quê?

Ah! Porque a exuberante cidade de Uberaba era muito famosa, quer a seu entorno, quer quiçá, no mundo inteiro, porquanto serem, de todos muito conhecidas, suas tão decantadas primícias: - a pujança de sua pecuária de corte e reprodução; - a beleza de suas meninas de grossas pernas, de tanto caminharem por ladeiras íngremes acima; - a efervescência pujante de sua vida cultural: - escolas de todos os tipos, e o desabrochar dos cursos superiores de filosofia, odontologia e medicina etc etc...; - a boniteza  de suas solidas construções, quer conventuais, quer residenciais; a rivalidade acirrada, ora velada, ora explicita, entre o Bispo Dom. Alexandre do Amaral, intelectual de primeira linha, e os intelectuais espíritas, tão sábios e generosos; e por tantas outras coisas mais etc etc...

Portanto, por esses e por tantos outros porquês, e que, naquele meu agora, ali estava eu em Berabão (junção de Uberaba com etá trem bão), sem lenço nem documento, sem um centavo nos bolsos, e, aparentemente sozinho, a questionar-me mais uma vez: - e agora Romildão?!
Respondia-me, a mim mesmo: - Vamos pagar pra ver!
No que tange a hospedagem, logo que cheguei, eu me aboletei, em uma pensãosinha qualquer, acostumada a acolher estudantes forasteiros. Bem pertinho da praça da catedral. Quanto à matricula, eu já a fizera, antecipadamente, no colégio do celebre, Mario Palmerio, para o período noturno. E durante três longos anos de minha vida, eu fui aprendendo a conhecer Uberaba e a permitir que ela me acolhesse. Mas, logo de inicio, eu pensara ter feito uma péssima escolha de horário pra estudar. Porque deitava-me a altas horas e levantava-me quase na hora do almoço. À tarde, ou voltava a dormir, ou ia bater pernas pelos quatro cantos da cidade. Contudo, eu estava totalmente enganado! Graças a Deus, não tive o discernimento suficiente para pedir transferência para o turno matutino. O que teria sido mais coerente para quem pretendia ser, o que só eu e Deus sabíamos o que era. Toda via, enfim, Deus tinha outros planos para mim. Tanto é que, em compensação, por estudar a noite, tive a imensa felicidade de conviver com colegas e colegas, que trabalhavam desde a mais tenra idade. No caso, o meu bom amigo Paulo, uma pessoa de coração lindo. Todos os sábados e domingos eu e Paulo íamos à casa de sua namorada, para estudarmos para alguma prova que aconteceria na segunda feira seguinte. Eles riam muito de mim, que me perdia em imitar todos os professores com grande maestria.

Bem como também, estudar a noite, proporcionou-me inesquecíveis oportunidades, tais como: - fazer o Tiro de Guerra sem perder o ano escolar; - visitar amigos à tarde. ( Dentre os quais a maioria era espíritas generosíssimos, como  Da Celina, a Cléo, minha doce mestrinha de latim, a primeira deficiente visual a se formar em letras no Brasil. Ainda neste contexto das minhas amizades espíritas, acredite se quiser, eu aludo aqui, também, o suavissímo, Chico Xavier,  a quem  não só por uma vez, eu visitara, até com certa frequência, para trocarmos ideias sobre a vida espiritual, tão importante para nós dois);



- ainda também, por inúmeras vezes à tarde, eu peregrinava por conventos e mosteiros, onde amizades, fi-las, abundantemente: - ir João OP, frei Boaventura OP, frei Chambert OP, Dom Sebastião OSB, o monge dentista, a doce Madre  Superiora das Consepicionistas, minha querida amiga Madre Coleta, e tantas outras e outros. Porquanto tudo isto, e um punhado generoso de tantas outras coisas, eu penso que fora uma boa, ter estudado a noite.
Dessa querida Uberaba, que para mim transpirava espiritualidade, eu partira, no final de 1960, rumo a Belo Horizonte. 

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