domingo, 22 de abril de 2012

ARTISTAS NACIONAIS DA DÉCADA:

A cantora baiana Ivete Sangalo foi a grande vencedora da categoria "Artista Nacional da Década". Confira abaixo a lista do Top Music Brasil com os 10 artistas mais importantes, populares e bem-sucedidos dos anos 2000. 

 
ARTISTAS NACIONAIS DA DÉCADA:

1. IVETE SANGALO 
Nos anos 90, como vocalista da Banda Eva, Ivete Sangalo já era um sucesso, vendendo mais de 3, 78 milhões de discos. Em 1999, a cantora baiana iniciou sua bem-sucedida carreira solo, com a qual alcançou a marca de 7 milhões de discos vendidos. Atualmente, Ivete ocupa a posição 21 entre os artistas que mais venderam discos no Brasil em todos os tempos. De seu primeiro álbum solo, foi extraído o single "Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim", canção romântica que alavancou sua carreira. Com o decorrer dos anos 2000, a artista lançou vários álbuns, que geraram grandes hits nacionais como "Festa", "Sorte Grande", "A Lua Que Eu Te Dei", "Quando A Chuva Passar", "Flor do Reggae", "Berimbau Metalizado", "Deixo", e "Agora Eu Já Sei", entre vários outros. Na última década, Ivete Sangalo foi indicada diversas vezes ao Grammy Latino, ganhando o prêmio em 2005 na categoria "Melhor Álbum Brasileiro de Raízes/Música Regional". Também tornou-se a recordista do Prêmio Multishow de Música Brasileira, com um total de 9 vitórias, e ganhou 9 troféus na premiação dos "Melhores do Ano" da Globo, nas categorias "Melhor Cantora" e "Melhor Música". Em 2008, Ivete, que é conhecida internacionalmente, ganhou o título de "Maior vendedora de DVD's do mundo em 2007". A cantora também foi a vencedora do Prêmio Top Music Brasil 2008 na categoria "Melhor Artista Feminino Nacional", e é líder de melhores posições no Termômetro Pop, o ranking dos artistas mais populares no Brasil. [ASSISTIR VÍDEO]


2. MARISA MONTE 
Nos anos 2000, Marisa Monte recebeu várias indicações ao Grammy Latino, sendo três vezes vencedora na premiação. Ganhou vários Prêmio Multishow, 3 Prêmio Tim e 2 Video Music Brasil, entre outros prêmios nacionais e internacionais. Em 2000 seu hit "Amor I Love You" foi a música mais tocada do ano. Em 2002 e 2003 fez parte do bem-sucedido projeto Tribalistas, que gerou os grandes hits nacionais "Já Sei Namorar" e "Velha Infância". Em 2006 foi eleita pela Associação Paulista de Críticos de Arte a "Melhor Artista de 2006". Em 2009 a cantora atingiu a marca de 5,850 milhões de discos vendidos no Brasil. Marisa é considerada pela revista Rolling Stone a maior cantora do Brasil, posto antes ocupado por Elis Regina. Ela também é considerada a artista que mais influenciou cantoras que se lançaram a partir da década de 90 em diante.

 
3. ANA CAROLINA
Ana Carolina teve presença marcante na música brasileira durante toda a década. Desde 1999 até hoje lançou nove álbuns e cinco DVDs, vendendo cinco milhões de discos e gerando vários hits como "Garganta", "Quem De Nós Dois", "Encostar Na Tua", "Uma Louca Tempestade", "Pra Rua Me Levar" e "É Isso Aí". A cantora é vencedora de 4 Prêmio Multishow, 3 Troféu Imprensa e 1 Prêmio Tim de Música. Em 2009, a artista de MPB fez 10 anos de carreira, lançando o álbum N9ve, de onde foi extraído o single "Entreolhares (The Way You're Looking At Me)", vencedor do Prêmio Top Music Brasil 2009, como "Melhor Música Pop Nacional" e "Melhor Música de MPB". 


4. ROBERTO CARLOS
Roberto Carlos é o cantor brasileiro que mais vendeu discos, com mais de 120 milhões cópias no mundo inteiro. Na última década o "rei" continuou sendo um sucesso de vendas, lançando vários álbuns e DVDs, como "Pra Sempre Ao Vivo No Pacaembu" (2005), "Duetos" (2006), e "Roberto Carlos e Caetano Veloso e a música de Tom Jobim" (2008). Foi vencedor do Grammy Latino nos anos de 2005 e 2006. No dia 11 de julho de 2009, o cantor fez um show no Maracanã, Rio de Janeiro, em comemoração aos seus 50 anos de carreira.


5. ALEXANDRE PIRES
Após lançar sete discos e vender 10 milhões de cópias com o grupo Só Pra Contrariar, Alexandre Pires partiu para a carreira solo em 2001, com o álbum "É Por Amor", dedicado ao mercado internacional. Produzido por Emílio Estefan, o disco gravado em espanhol ganhou depois uma versão em português. A balada romântica "Usted Se Me Llevó La Vida" o consagrou como o mais novo intérprete nacional de sucesso. Em 2002, o álbum ganhou um Grammy na categoria "Engenharia de Som". No mesmo ano o cantor recebeu o prêmio de "Melhor Artista do Ano" em 2001, no Latin Music Awards. Alexandre Pires está entre os 20 artistas que mais venderam discos no Brasil em todos os tempos. 


6. PITTY
Pitty alcançou grande sucesso logo com seu primeiro álbum, "Admirável Chip Novo", de 2003, que vendeu mais de 370 mil cópias e gerou o hit "Máscara", entre outros. Com o segundo álbum, "Anacrônico", de 2005, continuou emplacando hit atrás de hit, e vendeu mais de 500 mil cópias. Pitty e seus músicos são os maiores vencedores da história do VMB, da MTV, com um total de 15 vitórias. A cantora foi eleita vocalista da "Banda dos Sonhos" na premiação durante três anos consecutivos (2005 a 2007). Recentemente, Pitty tornou-se a maior vencedora do Prêmio Top Music Brasil 2009, ganhando em 4 categorias, incluindo "Melhor Artista Nacional" e "Melhor Música Nacional", por "Me Adora". 


7. LEONARDO
Incluindo as vendas de sua antiga dupla, Leonardo está entre os 10 artistas que mais venderam discos no Brasil em todos os tempos. Sua carreira solo foi iniciada no ano de 1999 - após a morte de seu irmão, Leandro, no ano anterior -, e já gerou 14 álbuns, sendo 4 deles ao vivo. Alguns destes trabalhos renderam indicações ao Grammy Latino para o cantor. Entre os seus vários hits na década de 2000 estão "Deixaria Tudo", "Quero Colo", "Te Amo Demais", "Coração Bandido" e "Esse Alguém Sou Eu".


8. DANIEL
Com a morte de seu parceiro de dupla João Paulo em 1997, Daniel iniciu carreira solo no ano seguinte, tornando-se um dos maiores cantores do Brasil. Já lançou 18 álbuns de carreira solo - 15 nos anos 2000 - e 4 DVDs. Foi indicado como "Melhor Cantor" em todas as edições do Troféu Imprensa durante a década, e levou o prêmio em 2008. Nos "Melhores do Ano" na Globo foi premiado como "Melhor Cantor" em três anos consecutivos: 2002, 2003 e 2004. Alguns de seus sucessos nos últimos 10 anos são: "Vai Dar Samba", "Quando O Coração Se Apaixona" e "A Primeira Letra".
  

9. VANESSA DA MATA
A cantora Vanessa da Mata já lançou quatro álbuns. Todos na década de 2000. O primeiro, de 2002, gerou o sucesso "Não Me Deixe Só". O segundo, de 2004, gerou o hit "Ai, Ai, Ai...", que veio a se tornar a música nacional mais executada nas rádios brasileiras em 2006. O terceiro, de 2007, continha a canção "Boa Sorte/Good Luck", eleita a "Melhor Música Nacional" no Prêmio Top Music Brasil 2008. Vanessa da Mata também já ganhou três Prêmio Multishow e 1 Grammy Latino.



10. BELO
Com o início da última década, iniciou-se também a carreira solo de Belo. Seu CD "Desafio", de 2000, foi o primeiro de uma série de 10 álbuns, com milhões de cópias vendidas. Mesmo na época em que foi preso em 2002, o cantor conseguiu ser um dos artistas mais executados no país e ganhar disco de ouro pelo CD "Seu Fã Ao Vivo".




sexta-feira, 20 de abril de 2012

Madonna, Mariah e Beyoncé lideram lista das 100 Melhores Artistas Femininas do mundo

O canal mundial de música pop VH1 acaba de divulgar sua lista das 100 Melhores Artistas Femininas de todos os tempos da cultura pop de massa – e Madonna, conhecida como a rainha do pop, prova que continua com tudo ao liderar a lista. Ela é seguida por Mariah Carey, em segundo, e Beyoncé, em terceiro. Mais novata delas, Lady Gaga ficou com a quarta posição.

A lista é feita pelos críticos do canal de televisão norte-americano (que na verdade tem só no Brasil três canais na TV fechada) e não deixa de fora a cantora Whitney Houston, que morreu em uma banheira de um hotel em Los Angeles no último sábado, 11 de fevereiro. Abaixo você confere os 20 primeiros lugares da lista do VH1.

1. Madonna
2. Mariah Carey
3. Beyoncé
4. Lady Gaga
5. Adele
6. Whitney Houston
7. Janet Jackson
8. Christina Aguilera
9. Mary J. Blige
10. P!nk
11. Britney Spears
12. TLC
13. Gwen Stefani
14. Alicia Keys
15. Alanis Morissette
16. Jennifer Lopez
17. Katy Perry
18. Missy Elliott
19. Kelly Clarkson
20. Rihanna

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Raul Seixas

Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um famoso cantor e compositor brasileiro, frequentemente considerado um dos pioneiros do rock brasileiro. Também foi produtor musical da CBS durante sua estada no Rio de Janeiro, e por vezes é chamado de "Pai do Rock Brasileiro" e "Maluco Beleza".

Sua obra musical é composta de 21 discos lançados em seus 26 anos de carreira e seu estilo musical é tradicionalmente classificado como rock e baião, e de fato conseguiu unir ambos os gêneros em músicas como "Let Me Sing, Let Me Sing"[4]. Seu álbum de estreia, Raulzito e os Panteras (1968), foi produzido quando ele integrava o grupo Os Panteras, mas só ganhou notoriedade crítica e de público com as músicas de Krig-ha, Bandolo! (1973), como "Ouro de Tolo", "Mosca na Sopa", "Metamorfose Ambulante". Raul Seixas adquiriu um estilo musical que o creditou de "contestador e místico", e isso se deve aos ideais que vindicou, como a Sociedade Alternativa apresentada em Gita (1974), influenciado por figuras como Aleister Crowley.

Raul se interessava por filosofia (principalmente metafísica e ontologia), psicologia, história, literatura e latim e algumas crenças dessas correntes foram muito aproveitadas em sua obra, que possuía uma recepção boa ou de curiosidade por conta disso.[5] Ele conseguiu gozar de uma audiência relativamente alta durante sua vida, e mesmo nos anos 80 continuou produzindo álbuns que venderam bem, como Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! (1987) e A Panela do Diabo (1989), esse último em parceria com Marcelo Nova, e sua obra musical tem aumentado continuamente de tamanho, na medida em que seus discos (principalmente álbuns póstumos) continuam a ser vendidos, tornando-o um símbolo do rock do país e um dos artistas mais cultuados e queridos entre os fãs nos últimos quarenta anos.

Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo resultado colocou Raul Seixas figurando a posição 19ª, encabeçando nomes como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Heitor Villa-Lobos e outros. No ano anterior, a mesma revista promoveu a Lista dos Cem Maiores Discos da Música Brasileira, onde dois de seus álbuns apareceram Krig-ha, Bandolo! de 1973 atingiu a 12ª posição e Novo Aeon ficou em 53º lugar ,[6] demonstrando que o vigor musical de Raul Seixas continua a ser considerado importante hoje em dia.
Raul Santos Seixas nasceu às 8 horas da manhã em 28 de Junho de 1945 numa família de classe média baiana que vivia na Avenida Sete de Setembro, Salvador.[8] Seu pai, Raul Varella Seixas, era engenheiro da estrada de ferro e sua mãe, Maria Eugênia Santos Seixas, se dedicava às atividades domésticas.[8] No próximo mês ele foi registrado no Cartório de Registro Civil de Salvador com o nome do pai e do avô paterno. Em 16 de setembro do mesmo ano, batizaram-no na Igreja Matriz da Boa Viagem.[8]

Em 4 de dezembro de 1948, Raul Seixas ganhou um irmão, o único, Plínio Santos Seixas, com quem teria um bom relacionamento durante sua infância.[8] Os estudos de Raul Seixas começaram em 1952, onde frequentou o curso primário estudando com a professora Sônia Bahia.[8] Concluído o curso em 1956, fundou o Club dos Cigarros com alguns amigos.[8] O trágico percurso escolar de Raul Seixas se iniciaria em 1957, quando ele ingressou no ginásio Colégio São Bento, onde foi reprovado na 2ª série por três anos.[9] Um dos motivos da reprovação, segundo alguns biógrafos, é que ele, em vez de ir assistir as aulas, ouvia rock and roll — em seus primórdios — na loja Cantinho da Música.[9] No mesmo ano, em 13 de Julho, Raul Seixas fundou o Elvis Rock Club com o amigo Waldir Serrão.[9] Segundo a jornalista Ana Maria Bahiana, é através de Serrão que Raul Seixas começou a sair de casa e a manter uma vida social mais ampla.[10] Segundo Raul, o encontro com Waldir foi fantástico: "me preparei todo, botei a gola pra cima, botei o topete, engomei o cabelo, e fiquei esperando ele, masclando chiclete".[11] O Elvis Rock Club era como uma gangue, que procurava brigas na rua, fazia arruaça, roubava bugigangas e quebrava vidraças.[10] Embora Raul não gostasse muito disso, "ia na onda, pois o rock (pelo menos a meu ver) tinha toda uma maneira de ser".[10]

Então, a família resolveu matricular Raul num colégio de padres, o Colégio Interno Marista, onde ele alcançou a 3ª série em 1960, mas acabou repetindo o estágio em 1961.[9] Ao que tudo indica, nessa época Raul Seixas começou a se interessar pela leitura.[9] O pai de Raul Seixas amava os livros e possuía uma vasta biblioteca em casa.[12] Tão logo decifrou o mistério das letras, o garoto pôs-se a ler os volumes que encontrava na biblioteca do Pai Raul.[12] Sendo assim, as histórias que lia na biblioteca fermentavam sua imaginação e, com os cadernos do colégio, fazia desenhos, criava personagens, enredos, para depois vender ao irmão quatro anos mais novo, que acabava ficando interessado e comprava os esboços.[13] Segundo Raul, um dos personagens principais dessas histórias era um cientista maluco chamado "Mêlo" (algo como "amalucado"), que viajava para diversos lugares imáginarios como o Nada, o Tudo, Vírgula Xis Ao Cubo, Oceanos de Cores.[14] Segundo Raul, Melô era sua "outra parte, a que buscava as respostas, o eu fantástico, viajando fora da lógica em uma maquinazinha em que só cabia um só passageiro... Melô-eu."[14] Plínio ficava horas ouvindo o irmão contar suas histórias, dentro do quarto dos dois, e Raul frequentemente encenava os personagens como um ator.[14]

Ambos os irmãos tinham algo em comum: adoravam literatura, mas odiavam a escola.[13] Mais tarde, já maduro, Raul Seixas diria: "Eu era um fracasso na escola. A escola não me dizia nada do que eu queria saber. Tudo o que aprendia era nos livros, em casa ou na rua. Repeti cinco vezes a segunda série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la."[15] De um modo ou de outro, Raul Seixas precisava frequentar a escola vez ou outra. Em uma determinada ocasião, o pai perguntou a Raul como ele ia na escola e pediu seu boletim. Raul mostrou um boletim falsificado, com todas as matérias resultando em um 10.[16] O pai questionava se ele havia estudado, mas Maria Eugênia interrompia, dizendo algo como "Estudou nada, ficou aí ouvindo rock o tempo inteiro, essa porcaria desse béngue-béngue, de élvis préji, de líri ríchi e gritando essas maluquices."[17] Os pais de Raul, como toda a geração da época, estranhavam o rock e ele não era muito bem-vindo entre as famílias.[17]

 Os Panteras
Raulzito e os Panteras (1968), o debute de Raul Seixas.

Embora Raul mantivesse um gosto muito sincero pela música, seu sonho maior era ser escritor como Jorge Amado. Na sua cidade, escutavam Luís Gonzaga todos os dias, nas praças, nas casas, em todos os estabelecimentos. Enquanto isso Raul junta-se a cena do Rock que se formava em Salvador. "Em 54/55, ninguém sabia o que era rock. Eu tocava e me atirava no chão imitando Little Richard." [18]. Com o passar do tempo a banda que chegou a ter diversos nomes, como Relampagos do Rock, formadas então pelos irmãos Délcio e Thildo Gama,[19], passa por várias formações e em 1963, passa a se chamar The Panters, banda que agora já se tornara sensação de Salvador. A fama se espalha, e a banda é rebatizada pelo nome Os Panteras. Em 1967 Raul Seixas começa um relacionamento com Edith Wisner, filha de um pastor protestante americano. O pai de Edith não aceita o namoro da filha. Em seis meses completa o segundo grau, faz cursinho pré-vestibular e passa em Direito, Psicologia e Filosofia. Com isso casa-se com Edith. Logo em seguida, abandona os estudos, volta a reunir os Panteras e aceita o convite de Jerry Adriani para ir para o Rio de Janeiro. [20]

Em 1968, Raulzito e Os Panteras gravam seu primeiro e único Disco, Raulzito e Os Panteras. Assinando contrato com a gravadora Odeon, após encontrarem Chico Anysio e o rei Roberto Carlos, que os reconheceu nos corredores de uma grande gravadora.[21] O Disco no entanto não teria sucesso de critica nem de público. Eládio Gilbraz, um dos panteras, diria: "De um lado havia a inexperiência de quatro rapazes, recém-chegados da Bahia, falando em qualidade musical, agnosticismo, mudança de conceitos e sonhos. Do outro lado, uma multinacional que só falava em "comercial". Talvez não tenha sido o disco que o grupo imaginara, mas nosso sonho era gravar um disco.[21]

A partir daí, Raulzito e Os Panteras passariam sérias dificuldades no Rio de Janeiro. Raul morava em Ipanema, e ia a pé até o centro da cidade para tentar divulgar suas músicas, não obtendo sucesso.[21] Algumas vezes os Panteras recebiam ajuda de Jerry Adriani, tocando como banda de apoio, o que, segundo o próprio Raul, lhe deu muita experiência e lhe ajudou a descobrir como se comunicar, pois suas "músicas eram muito herméticas".[21]. Raulzito passaria então fome no Rio de Janeiro [21] (como mais tarde escreveria em Ouro de Tolo).
[editar] Yê-yê-yê realista

Raul Seixas estava totalmente abalado pelo fracasso com Os Panteras, e a sua volta a Salvador. Escrevia ele: "Passava o dia inteiro trancado no quarto lendo filosofia, só com uma luz bem fraquinha, o que acabou me estragando a vista [...] Eu comprei uma motocicleta e fazia loucuras pela rua." [22] No entanto a sorte começaria a mudar, um dia, conhece na Bahia um diretor da CBS Discos. Mais tarde ele convidaria Raul para ser produtor da gravadora. Sem pensar duas vezes, ele faz as malas, junto a Edith, e volta para o Rio.[21]

Raul volta ao Rio para usar seus enciclopédicos conhecimentos de música como produtor fonográfico. Nos cadernos de composições de Raul começaria a ser alimentada uma revolução.[23]

Esta seria a segunda chance de Raul, apostando no talento do amigo, Jerry Adriani convence o então presidente da CBS, Evandro Ribeiro, a dar a Raulzito um emprego de produtor. Raulzito trabalhou anonimamente por um bom tempo.[24]

Raul após ter entrado na CBS, fez grandes aliados e amigos. Ainda em 1968, a dupla Os Jovens e a banda The Sunshines apostaram em suas letras. No entanto, Raul faria um grande amigo e parceiro: Leno, da dupla Leno e Lilian. "Raulzito sempre esteve 20 anos adiante de seu tempo e Leno o compreendia; na verdade, sempre houve uma grande admiração mútua". Diria Arlindo Coutinho, da relações públicas da CBS. Em seu compacto duplo Papel Picado, lançado em 1969, Leno registrou Um Minuto Mais, versão de Raulzito para I Will (nada a ver com a canção de Paul McCartney). Também não se pode esquecer de Mauro Motta, outro grande parceiro de Raul nesta fase.[24]

Jerry Adriani decide convocar Raulzito para ser o produtor de seus discos. No álbum de 1969, aproveitou para gravar uma de suas músicas, Tudo Que É Bom Dura Pouco. Naquela mesma época, outros ídolos da Jovem Guarda também apadrinharam Raulzito gravando suas letras como Ed Wilson, Renato e seus Blue Caps, Jerry Adriani, Odair José.

1970 marcou o início de uma fase muito ativa na carreira de Raulzito, como produtor da CBS. Primeiramente, suas composições passaram a ser gravadas pelos artistas do cast da gravadora. Passou o ano produzindo discos para Tony & Frankye, Osvaldo Nunes, Jerry Adriani, Edy Star e Diana, além de escrever uma quantidade enorme de músicas para os colegas da gravadora.[24] Algumas de muito sucesso, como Doce doce amor (Jerry Adriani), Ainda queima a Esperança (Diana) e Se ainda existe amor (Balthazar). Raulzito nessa época passa a ter um bom emprego de respeitado produtor, que conseguira lançar suas composições como Hits na voz de outros cantores e produzir grandes artistas. Mas Raulzito não se conformava apenas com isso, com o apoio de Sergio Sampaio, Raul passa cada vez mais a realimentar os sonhos de quando ainda morava em Salvador, que era ser um cantor.

Ao lado de Leno, Raulzito participa do disco Vida e Obra de Johnny McCartney, disco solo de Leno, em que ambos buscam novos caminhos e experimentações. Juntos assinam letras e composições em parcerias. Foi o primeiro Lp gravado em oito canais no Brasil.[24]. As letras do Disco foram censuradas, e o Disco não foi lançado na época. Outro projeto mal sucedido seria a Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 onde Raul Seixas deu inicio a produção de um projeto de ópera-rock, tendo as letras mutiladas pela censura do Regime Militar. O Sociedade Grã Ordem Kavernista era um disco Anarquico, inspirado em Frank Zappa e o então cultuado Disco Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles misturado a elementos brasileiros, como samba, chorinho, baião. O Movimento no entanto não dera certo.

Auge e queda
Krig-ha, Bandolo! (1973), primeiro disco de Raul com repercussão crítica e de público.

No início dos anos 1970, Raul decide participar do Festival Internacional da Canção, de 1972, sendo convencido pelo amigo e parceiro Sérgio Sampaio. Raul inscreve-se no Festival duas de suas músicas, Let me sing My Rock n Roll, defendida pelo próprio Raul e Eu sou eu e Nicuri é o diabo, defendida por Lena Rios & Os Lobos, ambas chegam a final, obtendo sucesso de critica e de público. Na época, Raul também se interessa por um artigo sobre extraterrestres publicado na revista A Pomba e teve o seu primeiro contato com o escritor Paulo Coelho, que mais tarde, se tornaria seu parceiro musical.[25]

No ano de 1973, Raul conseguiu um grande sucesso com a música "Ouro de Tolo" no álbum Krig-ha, Bandolo!, uma música com letra quase autobiográfica, mas que debocha da Ditadura e do "Milagre Econômico".

O mesmo LP também continha outras músicas que se tornaram grandes sucessos, como: "Metamorfose Ambulante, "Mosca na Sopa" e Al Capone.

Raul Seixas finalmente alcançou grande repercussão nacional como uma grande promessa de um novo compositor e cantor.[carece de fontes] Porém, logo a imprensa e os fãs da época foram aos poucos percebendo que Raul não era apenas um cantor e compositor.

No ano de 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa, uma sociedade baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, onde a principal lei é "Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei". Em todos os seus shows, Raul divulgava a Sociedade Alternativa com a música de mesmo nome. A Ditadura, então, através do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo. Depois de torturados, Raul e Paulo foram exilados para os Estados Unidos onde Raul Seixas teria supostamente se encontrado com John Lennon. No entanto, o seu LP Gita gravado poucos meses antes faz tanto sucesso, que ambos voltaram ao Brasil. O álbum Gita rendeu a Raul um disco de ouro, após vender 600.000 cópias. Ainda neste ano, Raul separa-se de Edith, que vai para os Estados Unidos com a filha do casal, Simone.

Em 1975, casa-se com Gloria Vaquer, e grava o LP Novo Aeon, onde Raul compôs uma de suas músicas mais conhecidas, "Tente Outra Vez". O LP, porém, vendeu menos de 60 mil cópias.

Em 1976, Raul supera a má-vendagem do disco anterior com o disco Há Dez Mil Anos Atrás. Neste mesmo ano, nasce sua segunda filha, Scarlet.

Naquele final de década as coisas começaram a ficar ruins para Raul. A parceria com Paulo Coelho é desfeita. O cantor lança três discos pela WEA (hoje Warner Music Brasil), a partir de 1977, que fizeram sucesso de público e desgosto na crítica (O Dia Em Que A Terra Parou, que continha canções como "Maluco Beleza" e "Sapato 36"; Mata Virgem (de volta com a parceria de Paulo Coelho, em 1978 e Por Quem Os Sinos Dobram, em 1979). Por volta deste período, intensifica-se a parceria com o amigo Cláudio Roberto Andrade de Azevedo (geralmente creditado como Cláudio Roberto), com quem Raul compôs várias de suas canções mais conhecidas.

A partir do ano de 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao consumo de álcool, que lhe causa a perda de 1/3 do pâncreas.[carece de fontes] Separa-se de Glória, que vai embora para os EUA levando a filha Scarlet. Neste ano, conhece Tania Menna Barreto, com quem passa a viver.

No ano de 1979, separa-se de Tania. Começa então a depressão de Raul Seixas junto com uma internação para tratar do alcoolismo. Conhece Angela Affonso Costa, a Kika Seixas, sua quarta companheira.

 Altos e baixos

No ano de 1980, assina novamente contrato com a CBS (desta vez como cantor) lançando mais um álbum, Abre-te Sésamo, que contém outros sucessos e têm as faixas "Rock das 'Aranha'" e "Aluga-se" censuradas. Logo depois o contrato é rescindido.

Em 1981 nasce a terceira filha, Vivian, fruto de seu casamento com Kika.

Em 1982 faz um show na praia do Gonzaga, em Santos, reunindo mais de 150 mil pessoas. No mesmo ano, Raul apresenta-se bêbado em Caieiras, São Paulo, e é quase linchado pela platéia que não acredita que Raul é o próprio, mas um impostor.

Desde 1980 Raul estava sem gravadora e agora também sem perspectiva de um novo contrato. Mergulhado na depressão, Raul afunda-se nas drogas. Porém, em 1983, Raul é convidado para gravar um disco pelo Estúdio Eldorado. Logo depois, Raul é convidado para gravar o especial infantil Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo, onde canta a música "Carimbador Maluco". O álbum Raul Seixas (1983), que continha a canção, dá à Raul mais um disco de ouro. Em 1984 grava o LP "Metrô Linha 743" pela gravadora Som Livre. Mas depois Raul teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo excessivo de álcool e constantes internações para desintoxicação. Também em 1984 a Eldorado lança o disco Ao Vivo - Único e Exclusivo.

Em 1985, separa-se de Kika Seixas. Faz um show em 1 de dezembro 1985, no Estádio Lauro Gomes, na cidade de São Caetano do Sul. Só voltaria a pisar no palco no ano de 1988, ao lado de Marcelo Nova.

Conseguindo um contrato com a gravadora Copacabana, em 1986 (de propriedade da EMI), grava um disco que foi lançado somente no ano seguinte, devido ao alcoolismo de Raul. O disco Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! faz grande sucesso entre os fãs, chegando a ganhar disco de ouro e estando presente até em programas de televisão, como o Fantástico. Nesta época, conhece Lena Coutinho, que se torna sua companheira. A partir desse ano, estreita relações com Marcelo Nova (fazendo uma participação no disco Duplo Sentido, da banda Camisa de Vênus).

Um ano mais tarde, 1988, já separado de Lena, faz seu último álbum solo, A Pedra do Gênesis.

A convite de Marcelo Nova, faz alguns shows em Salvador, após três anos sem pisar num palco.

No ano de 1989, faz uma turnê com Marcelo Nova, agora parceiro musical, totalizando 50 apresentações pelo Brasil. Durante os shows, Raul mostra-se debilitado. Tanto que só participa de metade do show, a primeira metade é feita somente por Marcelo Nova.
[editar] Morte
Universo Alternativo - fantasia sobre o "Profeta" Raul Seixas.

As 50 apresentações pelo Brasil resultaram naquele que seria o último disco lançado em vida por Raul Seixas. O disco foi intitulado de A Panela do Diabo, que foi lançado pela Warner Music Brasil no dia 22 de agosto de 1989.

Na manhã do dia 21 de agosto, Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama , por volta das oito horas da manhã em seu apartamento em São Paulo, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante. O LP A Panela do Diabo vendeu 150.000 cópias, rendendo a Raul um disco de ouro póstumo, entregue à sua família e também a Marcelo Nova, tornando-se assim um dos discos de maior sucesso de sua carreira. Raul foi velado pelo resto do dia no Palácio das Convenções do Anhembi. No dia seguinte seu corpo foi levado por via aérea até Salvador e sepultado às 17 horas, no Cemitério Jardim da Saudade[26].

Após a morte
Festival em Belo Horizonte, realizado em 2009 em homenagem a Raul Seixas. Dois participantes estão caracterizados segundo a fisionomia de Raul.

Depois de sua morte, Raul permaneceu entre as paradas de sucesso. Foram produzidos vários álbuns póstumos, como O Baú do Raul (1992), Raul Vivo (1993 - Eldorado), Se o Rádio não Toca... (1994 - Eldorado) e Documento (1998). Inúmeras coletâneas também foram lançadas, como Os Grandes Sucessos de Raul Seixas de (1993), a grande maioria sem novidades, mas algumas com músicas inéditas como As Profecias (com uma versão ao vivo de "Rock das Aranhas") de 1991 e Anarkilópolis (com "Cowboy Fora da Lei Nº2") de 2003. Sua penúltima mulher, Kika, já produziu um livro do cantor (O Baú do Raul), baseado em escritos dos diários de Raul Seixas desde os seis anos de idade até a sua morte.

Em 2004, o canal a cabo Multishow promoveu um show especial de tributo a Raul, intitulado O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas. O show, gravado na Fundição Progresso (Rio de Janeiro) e lançado em CD e DVD, contou com artistas como Toni Garrido, CPM 22, Marcelo D2, Gabriel o Pensador, Arnaldo Brandão, Raimundos, Nasi, Caetano Veloso, Pitty e Marcelo Nova (os três últimos baianos, como Raul).

Mesmo depois de sua morte, Raul Seixas continua fazendo sucesso entre novas gerações. Vinte anos depois de sua morte, o produtor musical Mazzola, amigo pessoal de Raul, divulgou a canção inédita "Gospel", censurada na década de 1970. A canção foi incluída na trilha sonora da telenovela Viver a Vida, da Rede Globo.