terça-feira, 12 de julho de 2011

Maysa Matarazzo – a mulher que a vida não dominava.





Maysa Figueira Monjardim, mais conhecida como Maysa Matarazzo ou simplesmente Maysa. Nasceu em São Paulo, 6 de junho de 1936. Morreu em  Niterói, em 22 de janeiro de 1977. Cantora, compositora e atriz brasileira. Ao longo da sua carreira imortalizou uma discografia com mais de 25 títulos. Cristalizou uma das mais sensíveis obras da Música Popular BrasileiraCasou-se aos dezessete anos com o empresário André Matarazzo, dezessete anos mais velho, amigo de seus pais, e membro do ramo ítalo-brasileiro da família Matarazzo, de cuja união nasceu Jayme Monjardim Matarazzo, diretor de cinema e telenovelas.Desquitou-se do marido em 1957, pois ele se opôs à carreira musical. Maysa teve vários relacionamentos amorosos, entre eles, com o compositor Ronaldo Bôscoli, o empresário espanhol Miguel Azanza, o ator Carlos Alberto, o maestro Julio Medaglia, entre vários outros. Ao assumir o relacionamento com Miguel Azanza em 1963, Maysa estabeleceu residência na Espanha onde morou durante anos com o marido e o filho. Só retornou definitivamente ao Brasil em 1969. Na década de 70, Maysa se aventuraria pelo mundo das telenovelas e do teatro participando de produções como O Cafona, Bel-Ami e o espetáculo Woyzeck de George Büchner. Em1977, um trágico acidente automobilístico na Ponte Rio-Niterói encerrava a carreira e o brilho da estrela, que foi um dos maiores nomes da música popular brasileira .Vivendo isolada na casa de praia em Maricá, desde 1972, para onde ia todo o fim de semana, Maysa morreu a caminho da mesma casa de praia em Maricá, enquanto dirigia a “Brasília azul” em alta velocidade, no dia 22 de Janeiro de 1977, por volta das 5 horas da tarde, na Ponte Rio-Niterói. O efeito de anfetaminas somado à ingestão excessiva de álcool e ao cansaço físico e psicológico que a cantora vinha sofrendo teriam provocado o fatídico acidente. Porém, a conclusão dos laudos periciais mostrou que no momento do acidente ela estava completamente sóbria, não havia resquícios de álcool em seu organismo.Em uma de suas últimas anotações, registrou:
“ Hoje é novembro de 1976, sou viúva, tenho 40 anos, 20 de carreira e sou uma mulher só .O que dirá o futuro?”


                                  Frases de Maysa:

“Considero masoquismo aturar sem queixas uma porção de pessoas. Detesto gente burra e vivo me encontrando com elas.”


“Tenho medo apenas do que não depende de mim: amar e não ser amada, por exemplo.”

“A bebida é a bengala de um velhinho que mora em minha personalidade. Mas tenho certeza de que uma criança que existia em mim, antes de tantas coisas acontecerem, um dia voltará. Só então saberei quem sou.”

“Quero, preciso e ainda amarei.”

“Quando estou só, tenho certeza de que só maior do que eu mesma e isto me apavora. Ninguém deve conhecer a sua própria dimensão.”

“Só uma coisa me faria morrer até o fim: o amor.”

“Sei que um dia o Sol vai nascer pra mim e todo este mal me deixará enfim.”

“Há gritos incríveis dentro de mim que me povoam da mais imensa solidão.”

“Só peço o meu tamanho e o porque dessa enorme solidão.”

"Se me tratam bem, eu trato bem. Se me agridem, eu agrido. Apenas respondo - e isso é humano."


"Estou tão consciente da distância da verdade, a que me propus, que te peço perdão. Me pede amor, só um pouco mais de mim e eu volto para a nossa solidão."

"O amor é também uma espécie de estado sentimental. Totalmente descarnado, puramente espiritual. É por isso então que eu evito a palavra amor."

"Não há utopia mais na nossa época, nós somos ou não somos!"

"Eu somei muita coisa, ensinei muita coisa pras outras pessoas. Só não ensinei pra mim mesma."

"Tenho uma profunda necessidade de dizer que amo as pessoas. Mas só tenho coragem de fazer isso com a ajuda da bebida. Chamo aqui para casa as pessoas que eu amo, tentando juntar essas ilhas. As pessoas estão ficando cada vez mais sós, estão se separando cada vez mais, ficando cada vez mais ilhadas."

"Só sou amarga quando noto a falta de afeto. Se encontro o carinho, como ousaria ser agressiva?"

"Eu busco amor em tudo. Na alegria, na tristeza...Talvez porque seja com elas com as quais mais me identifico. Mas não é verdade que eu só cante música triste. Canto o que eu gosto e o que sinto no momento. E não faço da tristeza profissão."



Depoimentos sobre Maysa:


                  AGUINALDO SILVA


"Maysa era simplesmente Maysa: uma mulher de rara coragem, que rompera todas as convenções e se atirara de boca na vida. Sofrera muito por causa disso...Mas deixava claro, em tudo o que fazia que a palavra arrependimento para ela não existia.

                 ANGELA RORO

"Desde pequenina me fazem essa comparação com a Maysa. [...] E eu acho um barato, desde pequenina pelo visual e pela coisa sonora que me pegou aos 8 anos de idade. [...] A voz gostosa e depois quando adolescente eu comecei a entender outras identificações que obviamente me orgulham ainda mais."


                               ARY BARROSO

"Apesar de tudo o que aconteceu com ela, Maysa continua sendo uma estrela. É uma grande artista e compositora."

                BILLY BLANDO

"Maysa é como as cigarras. Morreu ao entardecer, mas seu canto será eterno."

       CAETANO VELOSO

"Uma de minhas primeiras paixões foi a Maysa. E eu me lembro que ficava apaixonado por Maysa e eu pensava, seria fantástico. Eu tinha vontade de chegar perto dela e eu pensava, será que algum dia eu vou poder ver Maysa?"

CARLOS DRUMMOND ANDRADE

"[...] Uma vida cheia de tensões, de insubmissão às regrinhas miúdas do jogo, teve o desfecho dramático que coroa sua tragicidade espiritual. [...] Restam discos, quadros, escultura, palavras. Restam as fotos. E uma história truncuda que poderia ter sido feliz, mas que foi, sobretudo, dramaticamente humana em sua confluência de amor e de arte."





                     CAZUZA

"Maysa é o futuro. O futuro do amor como flor, como luz."


             CLARISSE LISPACTRO

"Maysa é um símbolo de ressurreição. [...] Quem já se reergueu várias vezes das cinzas sabe como é, ao mesmo tempo, difícil e impossível a própria reconstrução."


       EDDY MARNAY E GUY MAGENTA

"Há muitas pessoas que cantam.
Há algumas que são estrelas.
E há os artistas.
Maysa é uma artista. O que não a impede de ser a maior estrela do Brasil."

ELIS REGINA

“Mas, de verdade, a maior emoção que eu tive, a minha maior emoção, foi conhecer pessoalmente Maysa. Uma das maiores personalidades da música brasileira, de todos os tempos na minha impressão.”

GAL COSTA

"Uma mulher moderna para sua época, uma cantora apaixonada, de talento incomum. Ela está viva na sua obra, na sua perene imagem de mulher-deusa, na sua beleza."

            MANUEL BANDEIRA

"[...] Os olhos de Maysa são dois não sei que, dois não sei como diga, dois oceanos não-pacíficos."

    RONALDO BÔSCOLI
“Maysa, como pessoa, era uma figura maravilhosa. Generosa, bondosa, culta, safíssima, inteligente, sensível. [...] Ela era realmente uma pessoa extraordinária, ímpar. O humor sardônico da Maysa era uma coisa de se admirar.”


SIMONE
"A Maysa é uma das pessoas que me fascinava ao ponto deu não poder assistir shows dela, eu olhava, eu chegava até onde ela estava fazendo o show e eu começava a tremer de emoção, de fascínio. De uma pessoa linda, um ser humano maravilhoso."

PABLO NERUDA
"Hallarás aquí él mas hermoso canto al amor y lá mas dulce protesta contra él sufrimiento. En definitiva, te hallarás tu, en tu dolor, tu amor y tu soledad."

TITO MADI

“Ela amou muito e foi amada com grande paixão. Por isso, cantava o amor como ninguém até hoje o fez. Tenho saudades dela e seus lindos olhos.”


TOM JOBIN
"Maysa além de ser uma grande cantora, uma grande intérprete, é também uma grande compositora. Escreveu grandes sucessos como "Ouça", "Meu Mundo Caiu" e "Tarde Triste", que marcaram época e marcam uma fase da música popular brasileira."




Cantora. Compositora. Filha de Inah e Alcebíades Monjardim, de uma rica e tradicional família do Espírito Santo, aos 18 anos casou-se com André Matarazzo - um dos herdeiros da família Matarazzo (milionários industriais paulistas descendentes do Conde Matarazzo), quase 20 anos mais velho do que ela.

O envolvimento com a música, no entanto, veio muito antes, pois desde a adolescência já gostava de cantar em festas familiares, compor algumas músicas (aos 12 anos compôs o samba-canção "Adeus"), além de tocar piano.

Em 1956, já grávida de seu único filho, Jayme (que se tornaria o diretor de telenovelas da Rede Globo e da Rede Manchete Jayme Monjardim), conheceu o produtor Roberto Côrte-Real que, encantado com sua voz, quis contratá-la imediatamente para gravar um disco.



Maysa pediu então que ele esperasse o nascimento de seu filho. Quando este completou um ano de idade, a cantora gravou o primeiro disco, lançado a 20/11/56 pela RGE, que então deixava de ser um estúdio de gravações de jingles publicitários para se tornar uma das mais importantes gravadoras brasileiras. Depois de dois anos de casamento, Maysa e André Matarazzo, que se opunha à carreira artística da esposa, se separaram. O fim do casamento abalou profundamente a cantora, levando-a à depressão. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a se relacionar com a "turma da bossa nova". Namorou o produtor Ronaldo Bôscoli. Foi a responsável pelo fim do noivado de Bôscoli com Nara Leão, ainda no Aeroporto do Galeão, na volta de uma tournée que fez à Argentina. Numa entrevista coletiva, anunciou seu noivado com o jornalista/compositor, para decepção de Nara, que estava no aeroporto.

A partir dessa época, começou a ter problemas com a bebida e a se envolver em casos amorosos explorados pela mídia. Conheceu seu segundo marido, o advogado espanhol Miguel Azanza, quando fazia uma temporada na Europa. Depois de se casar, fixou residência na Espanha. Separada de Azanza, teve relacionamento amoroso com o ator Carlos Alberto, e, depois, com o maestro Júlio Medaglia. Em janeiro de 1977, faleceu em um trágico acidente de automóvel na ponte Rio - Niterói, aos 41 anos, quando se dirigia ao município de Maricá, onde tinha uma casa, plantada nas areias, ao lado das residências do ator Carlos Alberto e do crítico Ricardo Cravo Albin. Foi precisamente dirigindo-se à casa desse último que sofreu (numa manhã de sábado ensolarada) o desastre de carro que a vitimou, quase ao chegar à antiga capital fluminense.

O início da vida artística

Começa com Zé Carioca. Zé Carioca é o paulista José Patrocinio de Oliveira, que tocou nos "Chorões" de Presidente Altino com o pai do Boni e o excelente compositor e violonista Garoto - Augusto Anibal Sardinha – autor da célebre "Duas Contas", precursora da modernização da música brasileira sublimada pela bossa nova. Garoto veio para o Rio integrar com o violinista Fafá Lemos o "Trio Melodia", de Radamés Gnatalli. Zé, bandolinista, foi para o Bando da Lua com Aloysio de Oliveira, acompanhando Carmem Miranda. Viveu por 30 anos em Los Angeles onde foi a voz do Papagaio do Disney. Morreu lá em 1996.

Zé Carioca era amigo de boemia do Alcebíades Monjardim, pai de Maysa, e também amigo do Roberto Corte Real. Foi o Zé que levou o Roberto para ouvir Maysa. Zé Carioca, portanto, foi fundamental na descoberta de Maysa, foi quem "fecundou o óvulo". Roberto quis contratá-la na hora, mas, grávida, ela só aceitou um ano depois do parto. Maysa foi apresentada à equipe da RGE na casa do José Scatena, em uma reunião promovida pelo Roberto, através de um singelo cartão "Convite para ouvir Maysa" que, depois, virou o nome do primeiro LP de 10 polegadas.

Boni trabalhava na RGE na época e participou da reunião e do lançamento de todos os discos da Maysa. Roberto Corte Real também levou Roberto Carlos para a CBS Discos. Roberto Carlos era namorado da filha do Corte Real e ele só ouviu o Roberto muito tempo depois da filha torrar a paciência dele para dar uma chance para o garoto de Cachoeiro do Itapemirim e futuro ídolo da Jovem Guarda.

Maysa: Quando fala o coração, minissérie

A minissérie Maysa: Quando fala o coração resgatou o passado. Os jovens puderam conhecer sua história e sua música, que se fosse gravada agora, seria tão atual. Maysa estava além do seu tempo. Muito além. Como, em geral, estão os grandes artistas.



Maysa, no auge do sucesso, teve a coragem de seguir por um novo caminho, cantando num estilo totalmente diferente daquele que era a sua marca. A bossa nova era o contrário da música fossa, do samba-canção, da dor-de-cotovelo, estilo musical de Maysa. E saiu-se muito bem.

A minissérie também deve ter feito bem ao Jayme Monjardim, pois o mundo ficou conhecendo a sua vida de abandono e sofrimento, apesar da fortuna e do sobrenome Matarazzo. Os traumas de infância, que deviam perseguí-lo até hoje, foram exorcizados. A partir de agora Jayme Monjardim será outro.

Maysa, onde estiver, para os que acreditam, deve ter gostado da homenagem.

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